OPINIÃO & MERCADO · COMPRAR

O preço do imóvel é só o início da conta — e é aí que muitos compradores se enganam

O erro não é apenas gastar mais do que esperava. É descobrir os custos adicionais quando já existe um sinal pago, um contrato assinado ou uma escritura marcada.

Uma das conversas mais importantes que tenho com quem está a comprar casa é também uma das menos entusiasmantes.

Não é sobre a vista.

Não é sobre a cozinha.

Não é sobre a localização.

É sobre aquilo que a compra vai custar para além do preço do imóvel.

E é precisamente aí que muitos compradores fazem mal as contas.

O preço anunciado não é o valor necessário para fechar o negócio

Quando vemos um imóvel anunciado por 300 mil euros, é natural pensar:

“Preciso de 300 mil euros.”

Mas não é bem assim.

A compra envolve outros encargos.

Impostos associados à transmissão.

Imposto do selo.

Escritura.

Registos.

Custos bancários, quando existe financiamento.

Eventual apoio jurídico.

E outros encargos que podem variar consoante o imóvel e a situação de quem compra.

Por isso, uma das primeiras coisas que considero importante fazer é distinguir duas perguntas:

Quanto custa a casa?

e

Quanto dinheiro preciso realmente para comprar a casa?

Não são a mesma coisa.

O problema começa quando essa diferença só é descoberta depois

É aqui que vejo alguns compradores ficarem surpreendidos.

Fazem a conta ao preço do imóvel.

Calculam a entrada.

Percebem quanto conseguem financiar.

E avançam.

Só mais tarde começam a aparecer os restantes custos.

O problema não é apenas gastar mais do que esperavam.

É descobrir isso quando já existe um sinal pago, um contrato assinado ou uma data prevista para escritura.

Nessa fase, a margem para reorganizar a decisão é muito menor.

E uma compra que devia ser entusiasmante começa a tornar-se uma fonte de pressão.

Antes da proposta, eu gosto de perceber o custo total

Não é necessário saber ao cêntimo tudo o que vai acontecer meses depois.

Mas é importante ter uma estimativa séria.

Se o comprador me diz que dispõe de determinado orçamento, eu não gosto de assumir que esse orçamento pode ser totalmente utilizado no preço do imóvel.

Porque pode não poder.

Há uma diferença grande entre ter 350 mil euros disponíveis e poder comprar uma casa de 350 mil euros.

Essa diferença deve ser percebida antes da proposta.

Não depois.

E a conta não termina na escritura

Há ainda outra parte que muitas vezes fica fora do orçamento.

A casa foi comprada.

A escritura foi feita.

As chaves foram entregues.

E agora começa a realidade.

Mobiliário.

Eletrodomésticos.

Pequenas obras.

Pintura.

Ar condicionado.

Cortinados.

Mudança.

Seguros.

Condomínio.

Manutenção.

Às vezes são pequenas despesas.

Outras vezes não são.

E há imóveis onde só depois de começar a utilizá-los se percebe aquilo que realmente precisa de ser feito.

Por isso, eu separaria sempre duas contas:

o custo de comprar o imóvel

e

o custo de o colocar a funcionar para a vida que se pretende ter nele.

O condomínio também merece atenção

Nos apartamentos e em muitas urbanizações, existe ainda outro custo que pode parecer pequeno quando é visto mês a mês.

O condomínio.

Além da quota regular, podem existir obras previstas.

Pintura da fachada.

Telhado.

Elevadores.

Piscina.

Garagens.

Impermeabilizações.

Intervenções em zonas comuns.

Por isso, antes de comprar, não me interessa apenas saber quanto é a mensalidade.

Interessa-me também perceber se existem despesas extraordinárias aprovadas ou previsíveis.

Porque uma quota de 60 euros por mês não conta toda a história se, logo depois da compra, existir uma intervenção de vários milhares de euros a dividir pelos condóminos.

Com financiamento, também há uma conta própria

Quando existe crédito, a atenção vai naturalmente para a prestação mensal.

Mas também aqui há outros custos.

Avaliação.

Seguros.

Comissões bancárias, quando aplicáveis.

Custos associados à constituição da garantia.

E, acima de tudo, a necessidade de perceber quanto capital próprio vai efetivamente ser necessário.

Uma aprovação de crédito não significa que o banco financie todas as despesas da operação.

Por isso, saber quanto o banco está disposto a emprestar é apenas uma parte da pergunta.

A outra é:

Quanto tenho de ter disponível do meu lado para concluir a compra com segurança?

Comprar no limite deixa pouca margem para o inesperado

Este talvez seja o ponto que mais me preocupa.

Há compradores que conseguem, tecnicamente, chegar ao preço pedido.

Mas ficam sem margem nenhuma depois da escritura.

Isso significa que uma avaria, uma obra inesperada ou uma despesa familiar imprevista passa imediatamente a ser um problema.

Eu prefiro sempre alguma folga.

Mesmo que isso signifique comprar um pouco abaixo do orçamento máximo.

Porque, para mim, a casa certa não é aquela que apenas conseguimos comprar.

É aquela que conseguimos comprar sem transformar os meses seguintes numa preocupação financeira constante.

Um orçamento de compra devia ter várias linhas

Se estivesse a preparar hoje a compra de uma casa, faria uma conta simples.

Preço do imóvel.

Impostos e custos da aquisição.

Custos bancários, se existirem.

Eventual apoio jurídico.

Obras ou melhorias imediatas.

Mobiliário e equipamento.

Condomínio e outras despesas recorrentes.

Uma margem para imprevistos.

Só depois definiria o preço máximo da casa que posso procurar.

É uma abordagem menos emocionante do que começar pelas fotografias dos anúncios.

Mas evita muitos problemas.

Comprar bem não é apenas negociar o preço

Às vezes conseguimos retirar cinco ou dez mil euros ao preço de uma casa e sentimos que fizemos um excelente negócio.

E talvez tenhamos feito.

Mas se ignorámos todas as outras despesas, essa poupança pode desaparecer rapidamente.

Por isso, para mim, comprar bem não é apenas pagar menos pelo imóvel.

É saber antecipadamente:

quanto vai custar a operação toda e se essa compra continua confortável depois de todas as contas feitas.

É essa segurança que procuro quando acompanho um comprador.

Não a sensação de ter conseguido chegar ao preço da casa por pouco.

Mas a certeza de que consegue chegar à escritura — e continuar tranquilo depois dela.

Está a preparar uma compra e quer perceber o orçamento real?

Posso ajudá-lo a olhar para o processo de forma completa, incluindo o preço do imóvel, os custos associados à compra e a margem necessária para avançar com mais segurança.

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OPINION & MARKET · BUYING

The property price is only the beginning of the calculation — and that is where many buyers get it wrong

The problem is not only spending more than expected. It is discovering the additional costs after a deposit has been paid, a contract signed or completion already scheduled.

One of the most important conversations I have with home buyers is also one of the least exciting.

It is not about the view.

It is not about the kitchen.

It is not about the location.

It is about what the purchase will cost beyond the property price.

And that is exactly where many buyers get the numbers wrong.

The asking price is not the amount you need to complete the purchase

When we see a property listed at €300,000, it is natural to think:

“I need €300,000.”

But it is not quite that simple.

There are transfer taxes, stamp duty, deed and registration costs, bank costs where finance is involved, legal support where applicable and other expenses that vary according to the property and the buyer's situation.

That is why I think buyers should distinguish between two questions:

How much does the property cost?

and

How much money do I actually need to buy it?

They are not the same thing.

The problem starts when that difference is discovered too late

Some buyers calculate the property price, the deposit and the amount they can finance.

Then they move forward.

Only later do the other costs begin to appear.

The issue is not just spending more than expected.

It is discovering that after a deposit has already been paid, a contract signed or completion scheduled.

At that stage, there is much less room to reorganise the decision.

I prefer to understand the total cost before the offer

It is not necessary to know every future expense down to the last euro.

But a serious estimate matters.

If a buyer tells me they have a certain budget, I do not like to assume that the whole amount can be used on the purchase price.

There is a big difference between having €350,000 available and being able to buy a €350,000 property.

That difference should be understood before making an offer.

The calculation does not end at completion

The property has been bought.

The keys have been handed over.

And now real life begins.

Furniture, appliances, minor works, painting, air conditioning, curtains, moving costs, insurance, condominium fees and maintenance.

Sometimes these are small amounts.

Sometimes they are not.

I would always separate two calculations:

the cost of buying the property

and

the cost of making it work for the life you want to have in it.

Condominium costs deserve attention too

In apartments and many residential developments, the regular condominium fee is only part of the picture.

There may be approved or foreseeable extraordinary works: façades, roofs, lifts, pools, garages, waterproofing or common-area repairs.

A €60 monthly fee does not tell the whole story if a major expense is due shortly after purchase.

Finance has its own extra costs

When a mortgage is involved, attention naturally goes to the monthly payment.

But there may also be valuation costs, insurance, bank fees where applicable and costs linked to the security.

Most importantly, buyers need to understand how much of their own capital will actually be required.

A mortgage approval does not mean the bank finances every cost associated with the transaction.

How much do I need to have available myself to complete the purchase safely?

Buying at the absolute limit leaves little room for the unexpected

Some buyers can technically reach the asking price but are left with no margin after completion.

Then an unexpected repair or family expense immediately becomes a problem.

I prefer some financial breathing room, even if that means buying slightly below the maximum budget.

The right home is not simply the one we can just afford. It is the one we can buy without turning the following months into constant financial pressure.

A purchase budget should have several lines

If I were preparing to buy a home today, I would include:

Property price.

Taxes and acquisition costs.

Bank costs, if applicable.

Legal support, where relevant.

Immediate works or improvements.

Furniture and equipment.

Condominium and recurring costs.

A contingency margin.

Only then would I decide the maximum property price I should be looking at.

Buying well is not only about negotiating the price

Saving €5,000 or €10,000 on the asking price may be an excellent result.

But if every other cost was ignored, that saving can disappear very quickly.

For me, buying well means knowing in advance:

what the whole transaction will cost and whether the purchase still feels comfortable after every cost is included.

That is the kind of security I want for a buyer.

Not the feeling of having just managed to reach the price of the property.

But the confidence that they can complete — and remain comfortable afterwards.

Are you preparing to buy and want to understand the real budget?

I can help you look at the process as a whole, including the property price, the costs of the purchase and the margin needed to move forward more safely.

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