OPINIÃO & MERCADO · MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA

Porque defendo a mediação exclusiva — mesmo sabendo que assusta alguns proprietários

Mais agências não significam necessariamente mais promoção. O que faz a diferença é saber quem responde pela estratégia, pelo investimento e pelo resultado.

Há uma pergunta que ouço muitas vezes quando começo a falar com um proprietário sobre a venda de um imóvel:

“Não seria melhor colocar a casa em três ou quatro agências ao mesmo tempo? Assim há mais gente a divulgar.”

A lógica parece evidente.

Mais agências.

Mais anúncios.

Mais compradores.

Mais hipóteses de vender.

Mas, na prática, nem sempre funciona assim.

Depois de acompanhar diferentes formas de promoção, eu prefiro trabalhar em regime de exclusividade.

Não porque ache que um proprietário deva ficar “preso” a uma agência.

Mas porque acredito que um imóvel é melhor defendido quando existe uma estratégia única, uma responsabilidade clara e alguém verdadeiramente comprometido com o resultado.

Mais agências não significa necessariamente mais promoção

Quando quatro agências têm o mesmo imóvel, o proprietário pode pensar que tem quatro equipas a trabalhar intensamente para si.

Às vezes acontece.

Mas também pode acontecer exatamente o contrário.

Cada agência sabe que pode investir tempo, dinheiro e recursos numa angariação que outra agência pode vender amanhã.

Fotografia profissional, vídeo, drone, campanhas pagas, landing pages, conteúdos, bases de dados e ações específicas custam tempo e dinheiro.

E quanto menor for a certeza de que aquele investimento pode chegar ao fim do processo, menor tende a ser o incentivo para o fazer.

Em exclusivo, sei que a responsabilidade é minha

Se aceito um imóvel em exclusivo, não posso dizer:

“Não vendeu porque as outras agências também não conseguiram.”

Tenho de justificar a estratégia, acompanhar resultados, perceber porque aparecem ou não contactos, analisar o feedback das visitas e sugerir alterações quando alguma coisa não está a funcionar.

Preço. Apresentação. Posicionamento. Comunicação.

É muito mais difícil esconder um mau trabalho quando existe uma pessoa claramente responsável pelo processo.

E, sinceramente, acho isso positivo.

O proprietário também ganha uma coisa importante: coerência

Quando um imóvel aparece em várias agências, começam muitas vezes a surgir fotografias diferentes, descrições diferentes, áreas diferentes, características apresentadas de forma diferente e, em alguns casos, até preços diferentes.

O comprador vê tudo.

“Porque é que esta casa aparece quatro vezes?”
“Porque é que numa agência tem esta área e noutra tem outra?”
“Será que o proprietário está com pressa?”

É precisamente o tipo de dúvida que não ajuda numa negociação.

Com uma estratégia centralizada existe uma versão da informação, um posicionamento, uma comunicação e um preço.

E exclusividade não significa necessariamente trabalhar sozinho

Ter uma angariação em exclusivo não significa que apenas eu possa encontrar o comprador.

Posso trabalhar com outros consultores e outras agências através de partilha. Aliás, faço-o.

A diferença é que existe um interlocutor responsável perante o proprietário.

O proprietário não precisa de gerir cinco relações diferentes, repetir informação, coordenar cinco agendas ou descobrir quem disse o quê a cada comprador.

Exclusividade não significa exclusão de outros profissionais. Significa que o proprietário tem um responsável.

Há também uma diferença importante na negociação

Quando várias agências competem pelo mesmo imóvel, existe inevitavelmente uma corrida para chegar primeiro ao negócio.

Não digo que isso leve sempre a más negociações. Seria injusto afirmar isso.

Mas existe um incentivo diferente.

Em exclusivo, posso concentrar-me mais tranquilamente numa pergunta:

qual é a melhor forma de conduzir esta negociação para o proprietário?

Não simplesmente:

“Como é que consigo fechar antes dos outros?”

Isto também não significa esperar eternamente por uma proposta melhor

Exclusividade não deve ser confundida com teimosia.

Se o mercado está a dizer que o preço está errado, temos de ouvir.

Se os compradores repetem a mesma objeção, temos de analisar.

Se há visitas mas não há propostas, isso é informação. Se não há sequer contactos, também é informação.

Uma boa exclusividade não é um contrato para manter tudo igual durante seis meses.

É um compromisso para trabalhar, medir e ajustar.

É aqui que entram os relatórios de acompanhamento

Na minha opinião, um proprietário em exclusivo deve saber o que está a acontecer.

Quantos contactos houve? Quantas visitas? Que feedback foi recebido? De onde vieram os interessados? Que campanhas foram feitas? Que resultados tiveram? O que está a acontecer com imóveis concorrentes? Há alguma coisa que deva mudar?

Esta comunicação é essencial.

Porque exclusividade sem acompanhamento transforma-se facilmente naquilo que o proprietário mais teme: entregar a casa a alguém e depois não saber o que está a ser feito.

E eu concordo que isso é inaceitável.

O receio de “ficar preso” é legítimo

O proprietário pensa:

“E se eu assinar e depois não fizerem nada?”

É uma preocupação razoável.

Por isso, antes de assinar, eu aconselharia qualquer proprietário a perceber muito bem qual é a duração do contrato, como funciona a renovação, quais são os efeitos concretos da exclusividade, que serviços estão incluídos, que investimento será feito, como será prestado o acompanhamento e em que circunstâncias o contrato pode terminar.

A lei portuguesa exige que, quando existe exclusividade, os respetivos efeitos constem expressamente do contrato.

E, se nada for indicado sobre duração, o prazo supletivo previsto na lei é de seis meses.

Não aconselharia ninguém a assinar sem perceber exatamente aquilo a que se está a comprometer.

Exclusividade também exige compromisso do consultor

Eu não acho correto pedir exclusividade apenas para impedir outras agências de trabalhar o imóvel.

Se peço exclusividade, tenho de dar alguma coisa em troca.

Mais investimento. Mais acompanhamento. Mais responsabilidade. Mais disponibilidade. Uma estratégia concreta. E prestação de contas.

Caso contrário, o proprietário tem razão em perguntar:

“Exclusividade para quê?”

A exclusividade deve ser um compromisso dos dois lados.

Não uma vantagem unilateral para a agência.

E se o trabalho não estiver a resultar?

Primeiro, é preciso perceber o que não está a resultar.

O trabalho? O preço? A apresentação? A procura? A própria expectativa do mercado?

Nem sempre uma casa que não vende significa que a agência não trabalhou.

Mas também não acho correto esconder um mau resultado atrás da frase “O mercado está difícil.”

É preciso apresentar dados e tomar decisões.

Às vezes é mudar a estratégia. Às vezes é alterar o preço. Às vezes é melhorar a apresentação.

E, sim, às vezes pode chegar-se à conclusão de que a relação profissional não está a funcionar.

Mas essa possibilidade deve ser tratada com clareza no contrato e não presumida.

No fundo, eu não defendo exclusividade por causa da palavra “exclusividade”

Defendo-a pelo modelo de trabalho que permite.

Um interlocutor. Uma estratégia. Uma apresentação coerente. Maior capacidade de investimento. Partilha controlada com outros profissionais. Feedback centralizado. Responsabilidade clara. E uma negociação sem a pressão de uma corrida entre várias agências.

Mas há uma condição.

A exclusividade só vale a pena quando o serviço prestado também é exclusivo em dedicação, responsabilidade e qualidade.

Se for apenas uma assinatura num contrato, não chega.

Por isso, a pergunta que faria a um proprietário não é:

“Quer trabalhar em exclusivo?”

É:

“Quer entregar a responsabilidade da venda a um profissional que lhe consiga explicar exatamente o que vai fazer, quanto vai investir, como vai medir resultados e como o vai manter informado?”

Se a resposta for sim, então a exclusividade deixa de parecer uma limitação.

Passa a ser aquilo que, para mim, deveria ser desde o início:

responsabilidade concentrada.

Está a pensar vender e tem dúvidas sobre trabalhar em exclusivo?

Posso explicar-lhe como estruturo a promoção, o investimento, a partilha com outros profissionais e o acompanhamento ao longo do processo, para que perceba exatamente o que recebe em troca desse compromisso.

Falar comigo sobre exclusividade

Nota legal

O regime jurídico da mediação imobiliária exige que, quando o contrato é celebrado em regime de exclusividade, os respetivos efeitos sejam expressamente especificados. Na ausência de prazo definido no contrato, aplica-se o prazo supletivo legal de seis meses.

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OPINION & MARKET · REAL ESTATE AGENCY

Why I support exclusive real estate mediation — even though I know it worries some sellers

More agencies do not necessarily mean more promotion. What matters is knowing who is accountable for the strategy, investment and result.

There is one question I hear often when I start talking to a seller about bringing a property to market:

“Wouldn’t it be better to give the property to three or four agencies at the same time? Then more people will promote it.”

The logic seems obvious.

More agencies.

More listings.

More buyers.

More chances of selling.

In practice, it does not always work that way.

After seeing both models in action, I prefer to work on an exclusive basis.

Not because I believe a seller should be “locked in” to one agency.

But because I believe a property is better defended when there is one strategy, clear accountability and someone genuinely committed to the result.

More agencies do not necessarily mean more promotion

When several agencies market the same property, each knows it may invest time, money and resources in a listing that another agency could sell tomorrow.

Professional photography, video, drone footage, paid campaigns, landing pages, content, databases and specific marketing actions all cost time and money.

The lower the certainty that an agency can carry the process through to completion, the weaker the incentive may be to make that investment.

With exclusivity, I know the responsibility is mine

If I accept an exclusive listing, I have to justify the strategy, follow the results, understand why enquiries appear or do not appear, analyse viewing feedback and recommend changes when something is not working.

Price. Presentation. Positioning. Communication.

Clear responsibility is demanding. I think that is a good thing.

The seller also gains something important: consistency

When the same property appears through several agencies, inconsistencies can emerge: different photographs, descriptions, areas, features and sometimes even prices.

Buyers notice. Uncertainty rarely helps a negotiation.

With a centralised strategy there is one version of the information, one positioning, one communication and one price.

Exclusivity does not necessarily mean working alone

An exclusive listing does not mean that only I can find the buyer.

I can — and do — cooperate with other consultants and agencies.

The difference is that there is one person accountable to the seller.

Exclusivity does not mean excluding other professionals. It means the seller has one accountable professional.

There is also an important difference in negotiation

When several agencies compete on the same property, there is inevitably a race to complete first.

That does not mean negotiations will always be worse, but the incentive is different.

With exclusivity, I can focus more calmly on one question:

what is the best way to conduct this negotiation for the seller?

That does not mean waiting forever for a better offer

Exclusivity should not be confused with stubbornness.

If the market is saying the price is wrong, we have to listen. If buyers repeat the same objection, we need to analyse it.

A good exclusive agreement is a commitment to work, measure and adjust.

This is where reporting matters

A seller working exclusively should know what is happening: enquiries, viewings, feedback, campaign results, competing properties and whether anything should change.

Exclusivity without follow-up can become exactly what sellers fear most: handing the property over and then not knowing what is being done.

The fear of being “locked in” is legitimate

Before signing, sellers should understand the duration, renewal, practical effects of exclusivity, included services, investment, reporting and circumstances in which the agreement may end.

Portuguese law requires the effects of exclusivity to be expressly stated in the contract.

If no duration is specified, the statutory default period is six months.

Exclusivity also demands commitment from the consultant

If I ask for exclusivity, I have to give something in return.

More investment. More follow-up. More responsibility. More availability. A concrete strategy. And accountability.

“Exclusivity for what?”

It should be a commitment on both sides.

And if the work is not producing results?

First, we need to understand what is not working: the work, the price, the presentation, the demand or the market expectation.

Data should be presented, and decisions should follow.

In the end, I do not defend exclusivity because of the word “exclusive”

I defend it because of the working model it allows: one point of contact, one strategy, consistent presentation, greater capacity to invest, controlled cooperation, centralised feedback and clear accountability.

Exclusivity only makes sense when the service is equally exclusive in dedication, accountability and quality.

If it is only a signature on a contract, it is not enough.

So the question I would ask a seller is not:

“Do you want to work exclusively?”

It is:

“Do you want to place responsibility for the sale with a professional who can explain exactly what they will do, what they will invest, how they will measure results and how they will keep you informed?”

If the answer is yes, exclusivity stops looking like a restriction.

It becomes concentrated accountability.

Thinking of selling and unsure about an exclusive agreement?

I can explain how I structure promotion, investment, cooperation with other professionals and ongoing reporting, so you understand exactly what you receive in return for that commitment.

Talk to me about exclusivity

Legal note

Portuguese real estate mediation law requires the effects of exclusivity to be expressly stated in the contract. If no duration is specified, the statutory default period is six months.

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