OPINIÃO & MERCADO · MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA

“Os consultores imobiliários não fazem nada” — vamos então falar do que fazem

Publicar um anúncio é a parte visível. O verdadeiro trabalho está em tudo o que acontece antes, durante e depois — muitas vezes sem o cliente sequer perceber.

Há uma frase que ouço com alguma regularidade.

Às vezes diretamente.

Outras vezes em comentários, conversas ou publicações nas redes sociais.

“Os agentes imobiliários não fazem nada. Tiram umas fotografias, colocam o anúncio nos portais e esperam que apareça alguém.”

Percebo perfeitamente de onde vem esta ideia.

Porque esta é uma profissão em que grande parte do trabalho mais importante acontece precisamente onde ninguém vê.

E talvez por isso valha a pena explicar aquilo que existe entre o momento em que um proprietário entrega uma casa para venda e o dia em que essa venda chega, de facto, à escritura.

O trabalho começa muito antes de aparecer o primeiro comprador

Antes de existir uma única visita, há uma série de decisões que podem influenciar todo o processo.

Quanto deve ser pedido pelo imóvel?

Que imóveis são realmente comparáveis?

A informação documental está coerente?

Que características devem ser destacadas?

Como deve ser apresentado?

Quem é o comprador provável?

Em que canais faz sentido promovê-lo?

E uma coisa que considero particularmente importante:

como evitar que o imóvel fique apenas “publicado” e passe efetivamente a ser promovido?

Não é a mesma coisa.

Colocar um anúncio online é a parte fácil

Hoje qualquer pessoa consegue colocar um imóvel num portal.

O desafio não é esse.

O desafio é conseguir que, entre centenas ou milhares de imóveis concorrentes, aquele seja visto pelas pessoas certas.

Isso pode envolver fotografia profissional, vídeo, drone, plantas, textos, redes sociais, bases de dados de clientes, partilha entre profissionais, portais imobiliários, campanhas patrocinadas, landing pages, publicidade digital e acompanhamento constante dos contactos que entram.

Muitas destas despesas existem antes de haver qualquer garantia de venda.

Campanhas no Meta ou no Google custam dinheiro.

Portais têm custos.

Ferramentas de CRM, edição, fotografia e vídeo têm custos.

Deslocações têm custos.

Tempo também tem custo.

E tudo isso acontece antes de existir comissão.

Há outra particularidade desta profissão que muitas vezes se esquece

Na maioria dos modelos de mediação imobiliária, o consultor recebe quando o negócio se concretiza.

Não recebe por publicar o anúncio.

Não recebe por fazer vinte visitas.

Não recebe por atender cinquenta telefonemas.

Não recebe por passar semanas a acompanhar um comprador que acaba por desistir.

Não recebe por preparar uma campanha que não produz uma venda.

Existe, portanto, um risco que o profissional assume juntamente com o proprietário:

pode investir tempo e dinheiro e, no final, não receber nada.

Isto não significa, obviamente, que todos os consultores trabalham bem.

Nenhuma profissão funciona assim.

Mas ajuda a perceber porque é redutor pensar que o modelo consiste simplesmente em “colocar uma casa na internet e esperar”.

Depois vem uma das partes que o proprietário quase nunca vê: filtrar

Nem toda a pessoa que pede uma visita é um comprador.

E nem todo o comprador é comprador para aquele imóvel.

Antes de abrir a porta da casa de um proprietário, eu tento perceber:

O que procura?

Qual é o orçamento?

Tem financiamento?

Já falou com o banco?

Tem capitais próprios?

Tem primeiro de vender outro imóvel?

Está realmente interessado nesta localização?

Quais são os fatores essenciais para decidir?

Isto é trabalho.

Mas é um trabalho estranho porque, quando é bem feito, o proprietário quase não o vê.

Vê quatro visitas.

Não vê as quinze conversas que aconteceram antes e que evitaram outras onze visitas sem sentido.

O objetivo não é encher a agenda de visitas

Para mim, o número de visitas nunca foi o principal indicador de qualidade de uma angariação.

Prefiro cinco visitas feitas por pessoas que podem realmente comprar do que vinte visitas de pessoas que nunca estiveram perto de o fazer.

Uma casa não se vende porque muita gente passou pela sala.

Vende-se quando aparece o comprador certo, com capacidade para avançar, e quando conseguimos conduzir o processo até ao fim.

E depois aparece a negociação

Também aqui existe uma imagem muito simplificada do trabalho.

“Fizeram uma proposta.”

“O proprietário recusou.”

“Subiram mais cinco mil euros.”

Na realidade, muitas negociações são bastante mais complexas.

Preço.

Sinal.

Data do CPCV.

Prazo até à escritura.

Mobiliário.

Obras.

Condições de financiamento.

Entrega do imóvel.

Documentos pendentes.

Datas.

Cláusulas.

E, sobretudo, duas pessoas que normalmente têm interesses diferentes.

O comprador quer proteger-se.

O vendedor também.

E muitas vezes há emoção dos dois lados.

Um intermediário competente não serve apenas para transmitir uma proposta.

Serve para manter a negociação viva quando as posições começam a afastar-se.

Há ainda tudo aquilo que acontece depois do “sim”

Curiosamente, é aqui que muitos proprietários pensam que o trabalho terminou.

Para mim, muitas vezes começa outra fase.

Verificar documentos.

Coordenar CPCV.

Acompanhar financiamento.

Responder a pedidos do banco.

Acompanhar avaliação bancária.

Articular com advogados.

Notários.

Solicitadores.

Outras agências.

Comprador.

Vendedor.

Condomínio.

Câmara Municipal, quando necessário.

E garantir que as pequenas questões que vão aparecendo não se transformam em grandes problemas.

Porque é muito fácil dizer:

“A casa está vendida.”

até ao dia em que descobrimos que falta um documento.

Ou que o banco levantou uma questão.

Ou que a escritura não pode acontecer na data prevista.

Ou que aquilo que existe fisicamente no imóvel não corresponde ao que está documentado.

É aqui que experiência e acompanhamento começam a valer muito.

O trabalho bem feito tem uma característica curiosa: parece fácil

Um problema resolvido antes de chegar ao proprietário não é visível.

Uma visita que não aconteceu porque o interessado não tinha capacidade financeira também não é visível.

Uma objeção resolvida antes de se transformar numa desistência não deixa registo.

Uma documentação verificada antecipadamente evita um problema que ninguém chega a conhecer.

Por isso, às vezes, quando tudo corre bem, parece que “não aconteceu nada”.

Mas essa é precisamente a ironia.

Muitas vezes, o melhor sinal de que houve trabalho é o facto de o cliente nunca ter tido de lidar com os problemas que poderiam ter acontecido.

Isto não significa que todos os consultores sejam bons

Há bons consultores.

Há maus consultores.

Há profissionais muito preparados.

E há pessoas que entram nesta atividade sem preparação suficiente.

Como em quase todas as profissões.

E também eu já cometi erros ao longo do meu percurso profissional.

Ninguém trabalha anos numa área sem tomar decisões que, vistas mais tarde, faria de outra forma.

Para mim, a diferença não está em fingir que nunca se erra.

Está em perceber o que correu mal, assumir a responsabilidade quando é nossa, corrigir o que for possível e não repetir o mesmo erro.

E isto não é exclusivo da mediação imobiliária.

Acontece na medicina, na advocacia, na construção, na banca, na gestão — em qualquer profissão exercida por pessoas.

Tenho muito mais confiança num profissional que consegue dizer “aqui podia ter feito melhor” do que num que garante nunca ter errado.

É também por isso que uma má experiência com um profissional não deveria servir para julgar automaticamente toda uma profissão.

Deve, sim, tornar-nos mais criteriosos na escolha do profissional seguinte.

Como escolher melhor?

Procurar referências.

Ver trabalho anterior.

Perguntar como promove os imóveis.

Perceber como comunica.

Perguntar que investimento faz em marketing.

Saber como qualifica compradores.

Perceber se conhece a zona.

E, acima de tudo, perceber se existe um plano.

É assim que eu própria gostaria de ser escolhida.

Não porque tenho um cartão que diz “consultora imobiliária”.

Mas pelo trabalho que consigo demonstrar.

A comissão também devia ser vista desta forma

Não gosto muito da discussão reduzida a:

“Quanto cobra a agência?”

A pergunta é legítima.

Claro que é.

Mas devia vir acompanhada por outra:

“O que é que recebo em troca?”

Porque duas agências podem cobrar exatamente a mesma comissão e prestar serviços completamente diferentes.

Uma pode limitar-se a colocar o imóvel nos portais.

Outra pode investir em fotografia, vídeo, campanhas, bases de dados, colaboração com outros profissionais, acompanhamento documental, qualificação de compradores e negociação.

A percentagem pode ser igual. O serviço não é.

E é por isso que não acho particularmente útil avaliar um serviço apenas pelo preço.

Também há muito trabalho que nunca chega a uma comissão

Esta é outra parte pouco visível da profissão.

Um comprador pode ser acompanhado durante meses.

Fazer visitas.

Pedir pesquisas.

Pedir informações.

Pedir documentos.

Falar com bancos.

E acabar por não comprar.

Um proprietário pode pedir uma análise de mercado e decidir não vender.

Uma angariação pode ser trabalhada durante meses e acabar por ser vendida por outro canal.

Tudo isso faz parte da atividade.

E é precisamente por isso que, quando um negócio chega à escritura, a comissão não está a pagar apenas as horas daquele negócio.

Está também a suportar toda uma estrutura de trabalho que existe antes dele.

No fim, eu não pediria a ninguém que confiasse num consultor apenas porque é consultor

Pediria outra coisa.

Avalie.

Pergunte.

Compare.

Veja como trabalha.

Veja como comunica.

Veja como apresenta os imóveis.

Veja se conhece os números.

Veja se conhece a documentação.

Veja se responde quando existe um problema.

E depois tire as suas conclusões.

Porque eu também não acredito que um título profissional, sozinho, garanta competência.

Mas acredito muito no valor de um bom profissional.

E, para mim, a melhor forma de o avaliar não é perguntar quantas fotografias tirou ou quantas vezes apareceu na casa.

É perguntar:

Quanto trabalho retirou dos meus ombros?
Que problemas conseguiu antecipar?
Que compradores conseguiu filtrar?
Que negociação conseguiu conduzir?
E conseguiu levar o negócio, com segurança, até à escritura?

É aí que o serviço deixa de ser invisível.

E passa a ser valor.

Está a pensar vender e quer perceber como trabalho?

Posso explicar-lhe o plano de promoção, acompanhamento e qualificação que utilizo antes de assumir qualquer compromisso. Prefiro que escolha com informação — e não apenas com base numa percentagem de comissão.

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OPINION & MARKET · REAL ESTATE AGENCY

“Real estate agents do nothing” — so let’s talk about what they actually do

Publishing a listing is the visible part. The real work lies in everything that happens before, during and after — often without the client even noticing.

There is a sentence I hear fairly often.

Sometimes directly.

Sometimes in comments, conversations or social media posts.

“Real estate agents do nothing. They take a few photos, publish the listing and wait for someone to turn up.”

I understand where that perception comes from.

This is a profession in which much of the most important work happens precisely where nobody sees it.

That is why it is worth explaining what actually happens between the day a property comes to market and the day the transaction reaches completion.

The work starts long before the first buyer appears

Before there is a single viewing, several decisions can shape the whole process.

What price should be set?

Which properties are genuinely comparable?

Is the documentation coherent?

Which features should be highlighted?

Who is the likely buyer?

Where and how should the property be promoted?

How do we make sure a property is not simply “listed”, but actually promoted?

Publishing a listing online is the easy part

Today, anyone can place a property on a portal.

The challenge is getting the right people to notice it among hundreds or thousands of competing homes.

That may involve professional photography, video, drone footage, floorplans, copywriting, social media, buyer databases, cooperation with other professionals, property portals, paid campaigns, landing pages and ongoing lead follow-up.

Many of these costs arise before there is any guarantee of a sale.

Campaigns cost money. Portals cost money. CRM and editing tools cost money. Travel costs money.

Time has a cost too.

And all of this happens before there is any commission.

There is another feature of this profession that is often forgotten

In most agency models, the consultant is paid when the transaction is completed.

Not for publishing the listing.

Not for doing twenty viewings.

Not for answering fifty calls.

Not for accompanying a buyer for weeks who eventually decides not to proceed.

The professional can invest time and money and, in the end, receive nothing.

That does not mean every agent works well.

No profession works like that.

But it does show why “put the home online and wait” is an incomplete description of the business.

Then comes one of the least visible parts: filtering

Not everyone who asks for a viewing is a buyer.

And not every buyer is the right buyer for that particular property.

Before opening a seller's door, I try to understand budget, financing, available capital, whether another property must be sold first, location preferences and the factors that will actually determine a decision.

The owner may see four viewings.

They do not see the fifteen conversations that happened beforehand and prevented eleven pointless ones.

The goal is not to fill the diary with viewings

I would rather have five viewings with people who can genuinely buy than twenty with people who were never close to doing so.

A home does not sell because many people walked through the living room.

It sells when the right buyer appears, has the ability to proceed, and the process is managed through to completion.

Then comes negotiation

Price is only one part of it.

Deposit.

Promissory contract date.

Completion deadline.

Furniture.

Works.

Financing conditions.

Handover.

Outstanding documents.

Dates and clauses.

A competent intermediary does more than pass on an offer.

They help keep the negotiation alive when the two sides begin to move apart.

And then there is everything that happens after the “yes”

This is often when sellers think the work has finished.

In many cases, another phase has just started.

Documents.

Promissory contract.

Mortgage process.

Bank valuation.

Lawyers.

Notaries.

Solicitors.

Other agencies.

Buyer.

Seller.

Condominium.

Municipality, when necessary.

And all the small issues that need to be prevented from becoming major problems.

Good work has a curious characteristic: it can look easy

A problem solved before it reaches the seller is invisible.

A viewing that never happened because the person could not finance the purchase is invisible.

A document checked early can prevent a problem nobody will ever know existed.

Sometimes the best sign that work was done is that the client never had to deal with the problems that could have happened.

This does not mean every agent is good

There are good consultants and bad consultants.

There are highly prepared professionals and others who enter the industry without enough preparation.

And I have made mistakes in my own professional journey too.

Nobody works in a field for years without making decisions that, looking back, they would handle differently.

For me, professionalism is not pretending mistakes never happen.

It is understanding what went wrong, taking responsibility when it is ours, correcting what can be corrected and not repeating the same mistake.

That is not unique to real estate.

It happens in medicine, law, construction, banking, management — any profession carried out by people.

I have much more confidence in a professional who can say “I could have done that better” than in one who claims never to have made a mistake.

A bad experience with one professional should therefore make us more careful in choosing the next one, not automatically condemn an entire profession.

How do you choose better?

Ask for references.

Look at previous work.

Ask how properties are promoted.

Understand how the professional communicates.

Ask what is invested in marketing.

Ask how buyers are qualified.

Find out whether they know the local market.

Above all, find out whether there is a plan.

That is how I would like to be chosen myself.

Not because my business card says “real estate consultant”.

But because of the work I can demonstrate.

Commission should be looked at this way too

I do not particularly like reducing the discussion to:

“How much does the agency charge?”

It is a legitimate question.

But it should be followed by another:

“What do I receive in return?”

Two agencies can charge exactly the same commission and deliver completely different services.

One may simply publish the property on portals.

Another may invest in photography, video, paid campaigns, databases, cooperation, documentation, buyer qualification and negotiation.

The percentage may be the same. The service is not.

A lot of work never reaches a commission either

A buyer can be accompanied for months and never buy.

A seller can request a market analysis and decide not to sell.

A listing can be worked on for months and eventually sell through another route.

All of that is part of the activity.

That is why, when a transaction finally reaches completion, the commission is not simply paying for the hours spent on that one deal.

It supports an entire structure of work that exists before it.

In the end, I would not ask anyone to trust an agent simply because they are an agent

I would ask them to evaluate.

Ask questions.

Compare.

See how they work.

See how they communicate.

See how they present properties.

See whether they understand the numbers and the documentation.

See how they respond when there is a problem.

Then decide.

I do not believe a professional title alone guarantees competence.

But I do believe strongly in the value of a good professional.

How much work did they take off my shoulders?
What problems did they anticipate?
Which buyers did they filter?
What negotiation did they manage?
And did they get the transaction safely to completion?

That is when the service stops being invisible.

And becomes value.

Thinking of selling and want to understand how I work?

I can explain the promotion, follow-up and buyer-qualification plan I use before you make any commitment. I would rather you choose with information — not simply on the basis of a commission percentage.

Learn how I work

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