Desde setembro existe uma nova opção para proprietários que estejam a pensar no arrendamento de longa duração.
Chama-se RSAA — Regime Simplificado de Arrendamento Acessível.
O nome parece mais complicado do que aquilo que é.
Na prática, é um regime criado para incentivar proprietários a colocar imóveis no mercado de arrendamento a valores abaixo de determinados limites, oferecendo em troca benefícios fiscais.
E é precisamente aqui que, na minha opinião, a conversa pública começa a ficar demasiado simples.
Porque uma renda com benefício fiscal não é automaticamente uma boa renda.
E uma isenção de imposto, por si só, não transforma um mau investimento num bom investimento.
Afinal, o que é o RSAA?
O objetivo do RSAA é incentivar contratos de arrendamento habitacional com rendas abaixo de determinados limites definidos pelo próprio regime.
Em termos simples, o proprietário aceita limitar a renda e, em contrapartida, pode beneficiar de um tratamento fiscal mais favorável.
Para contratos destinados a residência permanente, existe também um compromisso de duração mínima.
É aqui que começa a verdadeira análise.
Porque baixar a renda para pagar menos imposto só faz sentido se, no final, o proprietário ficar numa situação financeiramente melhor.
E isso não se percebe apenas olhando para a taxa de imposto.
Uma renda mais baixa pode dar mais dinheiro líquido
Imagine dois proprietários.
Um arrenda por 1.300 euros por mês e paga imposto sobre esse rendimento.
Outro aceita 1.100 euros, mas beneficia de isenção fiscal.
Quem ganha mais no final do ano?
Não sei.
E esse é precisamente o ponto.
Depende dos impostos, dos custos do imóvel, do valor da renda, das despesas de manutenção, do condomínio, do financiamento, da duração do contrato e de várias outras condições.
Por isso, eu não diria a um proprietário:
Diria antes:
Porque é isso que interessa.
O verdadeiro exercício começa aqui
Se tivesse hoje um imóvel disponível para arrendamento, eu compararia pelo menos três cenários.
O primeiro seria o arrendamento tradicional.
Aqui existe maior liberdade na definição da renda, mas o rendimento fica sujeito ao regime fiscal aplicável.
O segundo seria o RSAA — Regime Simplificado de Arrendamento Acessível.
Aqui a renda tem de respeitar os limites do regime, mas pode existir uma vantagem fiscal relevante.
O terceiro seria o alojamento local, nos imóveis e localizações onde essa utilização faça sentido.
Neste caso, pode existir maior potencial de receita, mas também existe maior variabilidade.
Limpezas. Plataformas. Check-ins. Manutenção. Sazonalidade. Mais gestão. E maior exposição a alterações regulatórias.
A pergunta não devia ser:
A pergunta devia ser:
É uma diferença pequena na forma de perguntar.
Mas muda completamente a decisão.
O alojamento local é precisamente onde esta comparação pode ser mais interessante
Há proprietários que olham apenas para a receita bruta do alojamento local.
E percebo porquê.
Num bom mês de verão, os valores podem ser muito apelativos.
Mas receita bruta não é rentabilidade líquida.
Há comissões, limpezas, consumíveis, lavandaria, manutenção, tempo de gestão e períodos com menor ocupação.
E, em muitos casos, uma carga operacional que o proprietário acaba por subestimar.
Quando aparece uma alternativa de arrendamento mais estável e fiscalmente mais favorável, vale a pena fazer contas outra vez.
Não porque o alojamento local tenha deixado de fazer sentido.
Mas porque a comparação mudou.
Para alguns proprietários, o alojamento local continuará claramente a ser mais rentável.
Para outros, uma renda inferior mas estável, com menor carga de gestão e benefício fiscal, pode produzir um resultado líquido surpreendentemente competitivo.
E o que é o CIA?
Há outra sigla que começou a aparecer nas notícias:
CIA — Contratos de Investimento para Arrendamento.
É importante não confundir com o RSAA.
O RSAA pode ser relevante para um proprietário individual que quer colocar um imóvel no mercado de arrendamento acessível.
O CIA está pensado para operações de investimento de outra dimensão, geralmente ligadas à criação ou disponibilização de habitação para arrendamento durante períodos longos.
Pode envolver benefícios fiscais e compromissos específicos para projetos que cumpram os requisitos previstos.
Por isso, eu não apresentaria o CIA como “a versão empresarial do RSAA”.
São instrumentos diferentes. Com objetivos diferentes. E destinados a realidades diferentes.
O perigo está em olhar apenas para a palavra “isenção”
Quando aparece uma nova medida fiscal, há sempre uma palavra que chama mais atenção do que as outras.
Neste caso, é essa: isenção.
Mas uma isenção só é boa se melhorar o resultado final.
E isso depende sempre do imóvel concreto.
Dois apartamentos no mesmo prédio podem chegar a conclusões diferentes.
Um proprietário pode ter financiamento. Outro pode não ter. Um pode valorizar estabilidade. Outro pode querer manter flexibilidade. Um pode estar disponível para gerir alojamento local. Outro pode não querer receber uma única mensagem de um hóspede às onze da noite.
Tudo isso conta.
Por isso, não acredito em respostas genéricas do género: “Agora compensa passar tudo para arrendamento acessível.”
Ou: “O alojamento local continua sempre a dar mais.”
As duas frases podem estar erradas.
Depende do imóvel.
O exercício que eu faria
Colocaria três colunas numa folha.
Arrendamento tradicional.
RSAA.
Alojamento local.
E para cada uma calcularia: receita anual, impostos, custos, tempo de gestão, flexibilidade, risco e rentabilidade líquida.
Depois faria uma pergunta muito simples:
Só depois tomaria uma decisão.
Então, o novo regime é uma boa notícia?
Na minha opinião, sim.
Não porque seja necessariamente a melhor solução.
Mas porque cria mais uma opção.
E ter mais uma opção é importante.
Pode tornar o arrendamento de longa duração novamente interessante para proprietários que, até agora, nem sequer o consideravam.
Pode levar outros a perceber que o alojamento local continua a fazer mais sentido.
E pode simplesmente obrigar muitos proprietários a fazer uma coisa que deviam fazer de qualquer maneira:
olhar para o rendimento líquido real do imóvel.
Não para a renda anunciada. Não para a receita de agosto. Não para a percentagem do imposto. Para o resultado final.
Em resumo
RSAA significa Regime Simplificado de Arrendamento Acessível.
CIA significa Contratos de Investimento para Arrendamento.
São instrumentos diferentes.
E nenhum deles substitui aquilo que, para mim, continua a ser o mais importante:
Tem um imóvel e está a tentar perceber qual destes modelos faz mais sentido?
Posso ajudá-lo a fazer uma primeira leitura do imóvel, da utilização possível e dos diferentes cenários antes de tomar uma decisão.
Falar comigo sobre o meu imóvel