OPINIÃO & MERCADO · FARO

130 milhões pelo Forum Algarve — o que este investimento diz sobre Faro

Uma gestora espanhola escolheu Faro para a sua primeira aquisição internacional. O negócio não prova sozinho o futuro do imobiliário residencial, mas diz muito sobre a forma como o capital institucional está a olhar para a cidade.

Há notícias que chamam a atenção pelo número.

130 milhões de euros é uma delas.

A gestora espanhola Alfana Investment Management comprou o Forum Algarve, em Faro, naquela que é apresentada como a sua primeira aquisição internacional.

O centro comercial tem 115 lojas, mais de 2.200 lugares de estacionamento, uma taxa de ocupação próxima dos 100% e recebeu mais de 7,8 milhões de visitantes em 2025.

É fácil olhar para estes números e concluir imediatamente: “Faro está em alta”.

Eu prefiro ser um pouco mais cuidadosa.

Uma compra de um centro comercial não é a mesma coisa que comprar habitação. E os próprios dados do ativo mostram que uma parte importante da afluência está ligada ao turismo.

Mas há uma coisa que este negócio mostra com bastante clareza:

Há investidores institucionais dispostos a colocar muito capital num ativo consolidado em Faro.

E isso, para mim, merece atenção.

Não é uma aposta num projeto por provar

O Forum Algarve não é um ativo novo à procura de mercado.

Existe desde 2001. Tem ocupação praticamente total. Tem marcas nacionais e internacionais consolidadas. Em 2025, as vendas dos lojistas ultrapassaram 120 milhões de euros.

A Alfana diz procurar ativos localizados em zonas consolidadas e de elevado movimento.

Faro encaixou nessa estratégia.

Isso não significa que tudo o que exista em Faro passe automaticamente a valer mais.

Mas significa que a cidade está a ser analisada por capital profissional como um mercado com escala, movimento e capacidade de gerar procura suficiente para sustentar um ativo desta dimensão.

Faro é muito mais do que a porta de entrada do Algarve

Durante demasiado tempo Faro foi descrita quase exclusivamente através do aeroporto.

É verdade que o aeroporto é uma vantagem enorme.

Mas a cidade também concentra universidade, hospital, administração pública, serviços, comércio, empresas e uma população que vive aqui todo o ano.

Quem trabalha no mercado local percebe esta diferença facilmente.

Há procura turística, claro.

Mas também há procura residencial permanente, estudantes, profissionais, famílias, pessoas que trabalham em Faro e vivem nos concelhos próximos, e compradores estrangeiros que já não procuram apenas uma casa para agosto.

É esta mistura que torna Faro diferente de um mercado exclusivamente dependente de férias.

O que eu não retiraria desta notícia

Não diria que a compra do Forum Algarve prova que os preços das casas vão subir.

Não diria que valida automaticamente qualquer projeto imobiliário.

E também não usaria os 7,8 milhões de visitantes como prova de que Faro deixou de depender do turismo — porque uma parte importante dessas visitas está precisamente ligada ao fluxo turístico.

Mas retiraria outra conclusão.

Quando um investidor profissional entra numa cidade com 130 milhões de euros, vale a pena perceber o que viu ali.

Viu um ativo consolidado.

Viu ocupação.

Viu movimento.

Viu capacidade de consumo.

E viu uma localização onde a população residente e o volume de visitantes justificam uma operação desta dimensão.

Para o imobiliário residencial, o sinal é indireto — mas relevante

É aqui que, para mim, a notícia se torna interessante.

O valor de uma casa não depende do preço pago por um centro comercial.

Mas os mercados imobiliários não existem isolados da economia das cidades.

Emprego, serviços, comércio, acessibilidades, universidade, saúde e investimento contam.

Uma cidade que concentra cada vez mais funções tende a ser também uma cidade onde mais pessoas querem viver, trabalhar ou manter uma base.

É por isso que, quando analiso Faro, Montenegro ou Gambelas, não olho apenas para o preço por metro quadrado.

Olho para a forma como esta zona está a funcionar.

Quem vive aqui?

Quem trabalha aqui?

Que serviços existem?

Que infraestruturas continuam a atrair pessoas?

E que tipo de capital está disposto a entrar?

O Sotavento não precisa de notícias espetaculares todos os meses

Há uma tendência no imobiliário para procurar sempre o próximo grande anúncio.

Um novo resort.

Um empreendimento milionário.

Uma marca internacional.

Mas, para mim, os sinais mais interessantes são muitas vezes menos vistosos.

São os investimentos em ativos que já funcionam.

Porque aí o investidor não está apenas a comprar uma promessa.

Está a comprar resultados existentes e a apostar que aqueles resultados podem continuar.

É isso que torna esta transação relevante.

Não porque 130 milhões pelo Forum Algarve determinem o preço da casa ao lado.

Mas porque mostram que Faro está suficientemente consolidada para entrar no radar de capital institucional internacional.

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OPINION & MARKET · FARO

€130 million for Forum Algarve — what this investment says about Faro

A Spanish asset manager chose Faro for its first international acquisition. The deal does not, on its own, predict the residential market — but it says a great deal about how institutional capital is looking at the city.

Some news stories attract attention because of the number.

€130 million is one of them.

Spanish asset manager Alfana Investment Management has acquired Forum Algarve in Faro in what has been reported as its first international acquisition.

The shopping centre has 115 stores, more than 2,200 parking spaces, occupancy close to 100% and received more than 7.8 million visitors in 2025.

It would be easy to read those figures and immediately conclude: “Faro is booming”.

I prefer to be more careful.

Buying a shopping centre is not the same as buying housing, and the asset's own figures show that tourism contributes significantly to its footfall.

But the transaction does show something clearly:

Institutional investors are prepared to place substantial capital into a consolidated asset in Faro.

And that is worth paying attention to.

This is not a bet on an unproven project

Forum Algarve has existed since 2001. It is almost fully occupied, hosts established national and international brands and its tenants generated more than €120 million in sales in 2025.

Alfana's strategy focuses on consolidated, high-traffic locations. Faro fitted that strategy.

That does not mean everything in Faro automatically becomes more valuable. But it does mean professional capital sees sufficient scale, movement and demand here to support an asset of this size.

Faro is more than the gateway to the Algarve

For too long Faro has been described almost entirely through its airport.

The airport is a major advantage, but the city also concentrates university, hospital, public administration, services, commerce and businesses, together with a population that lives here all year.

There is tourism, of course, but also permanent residential demand, students, professionals, families and foreign buyers who are no longer looking only for an August home.

What I would not conclude from this deal

I would not say that Forum Algarve's sale proves house prices will rise, or that it validates every residential development.

Nor would I use 7.8 million visitors as evidence that Faro is independent of tourism.

I would take a more useful conclusion:

When a professional investor places €130 million in a city, it is worth asking what they saw there.

They saw an established asset, occupancy, movement, spending power and a location capable of sustaining a major operation.

For residential property, the signal is indirect — but relevant

The value of a home is not determined by the price paid for a shopping centre.

But housing markets do not exist independently of the economies of their cities.

Employment, services, retail, accessibility, education, healthcare and investment all matter.

That is why, when I analyse Faro, Montenegro or Gambelas, I look beyond price per square metre. I look at how the area actually functions.

The Eastern Algarve does not need a spectacular announcement every month

Property markets are often obsessed with the next big project, resort or international brand.

But some of the most useful signals come from investment in assets that already work.

That makes this transaction interesting — not because €130 million for Forum Algarve determines the price of the home next door, but because Faro is sufficiently established to attract international institutional capital.

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